Morre o escritor Fernando Sabino

Há 10 anos… dia 11 de outubro de 2004.

Morre o escritor Fernando Sabino

Fernando Sabino foi um grande contador de histórias.

Em livros, crônicas, contos, tinha habilidade de cativar o leitor na primeira linha.

Comigo não foi diferente. Li somente dois livros dele, ainda na adolescência (imperdoável, eu sei, mas ainda a tempo de ser reparado!). Nos dois, a mesma sensação de fascínio e deslumbramento pela história.

O Menino no Espelho me encantou por vários motivos. Um, óbvio: o fato de ter o mesmo nome do protagonista. A história autobiográfica do menino Fernando cativa pela fantasia, uma mistura de real e onírico, concreto e imaginação. Mais importante, nos faz olhar pra dentro, na descoberta, bonita, porém difícil, de quem somos. É o “Eu, caçador de mim”, pra citar um conterrâneo de Sabino.

Com O Grande Mentecapto foram outros quinhentos, um passo além. A (não tão) extraordinária trajetória de Geraldo Viramundo é, no primeiro momento, muito engraçada. Um sujeito meio maluquinho, com desejos e sonhos quixotescos, te faz rir com histórias improváveis. Depois, começamos a notar que Viramundo é um pouco como nós mesmos. Um “Nowhere Man” tupiniquim. “Isn’t he a bit like you and me?”.

Nascido em Belo Horizonte em 1923, Fernando Tavares Sabino publicou o primeiro conto aos 14 anos de idade, em uma revista de Minas Gerais. Aos 18, o primeiro livro, Os grilos não cantam mais. Fez carreira em redações de jornais, como Folha de Minas e Correio da Manhã, apesar de ter cursado direito na UFRJ.

Com a publicação, em 1956, de O Encontro Marcado, possivelmente o seu maior livro, se torna um reconhecido escritor, mas não abandona o jornalismo. Escreve crônicas diárias para o Jornal do Brasil e mensais para a revista Senhor.

Em 1979, ganha o Prêmio Jabuti por O Grande Mentecapto, um livro que começou a escrever trinta anos antes e que acabou nas telas do cinema em 1989. Aliás, teve outras obras adaptadas para longas-metragens, como O Homem Nu, com Paulo José no papel principal, Faca de Dois Gumes, e, mais recentemente, o próprio Menino no Espelho.

Como bom prosador, teve muitos amigos. Formou, com Otto Lara Resende, Hélio Pellegrino e Paulo Mendes Campos, o grupo dos quatro grandes escritores mineiros, todos muito relevantes na literatura brasileira do pós-guerra.

Sabino foi, também, um ótimo frasista. Sensível, perspicaz, preciso.

“Ser mineiro é esperar pela cor da fumaça. É dormir no chão para não cair da cama”.

“Os dois grandes momentos da nossa vida, o de nascer e o de morrer, dão a medida da nossa solidão”.

“Eu hoje queria mesmo era reencontrar o jovem que eu fui e ele poder me estender a mão”.

A mais bonita: “Quando eu era menino, os adultos perguntavam: o que você quer ser quando crescer? Hoje não perguntam mais. Se perguntassem, responderia: quero ser menino”.

Fernando Sabino morreu na véspera de completar 81 anos, por consequência do agravamento de um câncer no fígado.

Assista entrevista de Fernando Sabino no Roda Viva, em 1989:

Fontes:

Wikipédia

Acervo Estadão

releituras.com

+MAIS:

Crônica de Matheus Pichonelli sobre O Encontro Marcado, na revista CartaCapital.

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