Aracy de Almeida, 100 anos

19 de agosto de 1914

Aracy de Almeida, 100 anos

“É, na minha opinião, a pessoa que interpreta com exatidão o que eu produzo”, dizia Noel Rosa.

Hermínio Bello de Carvalho a compara com divas americanas, como Billie Holiday.

“Uma pessoa que não se preocupa com brilho, com paetê, com lantejoula, que não quer saber de estrela na porta do camarim, que não tem carro com chofer”, definiu Elis Regina.

Por fim, o radialista César Ladeira cravou o apelido definitivo: “O samba em pessoa”.

Então, cabe a pergunta – e bem ao jeitão dela -: por que raios só nos lembramos de Aracy de Almeida como a jurada desbocada e mal humorada da televisão?

“Tomara que essa imagem da jurada de programa de calouros desapareça”, disse Sérgio Cabral, jornalista, escritor e grande amigo, que prepara biografia sobre a grande Aracy de Almeida.

Nascida há um século no bairro do Encantado, zona norte do Rio de Janeiro, lugar que não deixou até o fim da vida, Aracy Teles de Almeida, filha de Baltazar, chefe de trens da Central do Brasil, e da dona de casa Hermogênea, cresceu ao lado dos irmãos, todos homens.

Quando menina, costumava cantar hinos e músicas religiosas em uma igreja Batista e, escondida dos pais, em terreiros de candomblé. Também soltava o vozeirão meio rouco e fanho no bloco carnavalesco “Somos de Pouco Falar”.

Em 1933, conheceu o compositor Custódio Mesquita, que a levou para a Rádio Educadora. Ali, encontrou a pessoa que mudou sua vida: Noel Rosa. Nascia uma grande amizade e uma parceria eterna.

Grava o primeiro samba de Noel em 1935. A partir de “Riso de Criança”, torna-se a preferida do Poeta da Vila. Ele queria só Aracy para cantar suas composições. E foram muitas!

Fica conhecida como intérprete de sambas, roda por outras rádios do Rio, excursiona com Carmen Miranda e ganha o famoso apelido de César Ladeira. A morte de Noel Rosa, em 1937, não a impede de seguir o caminho de sucesso.

Lança vários discos, grava canções de Ary Barroso, Antônio Maria, Assis Valente, Dorival Caymmi, Cartola, Wilson Batista, entre outros. Começa a compor marchinhas e até se arrisca como atriz. Ainda assim, mantém viva a memória de Noel, com espetáculos como o da boate Vogue, entre 1948 e 1952. Muda do Rio para São Paulo na década de 1950.

Aracy continua cantando, gravando e fazendo shows e espetáculos até o fim dos anos 1960, início dos anos 1970, quando estreia e vira um ícone na TV. Na telinha, vira personagem como jurada em programas de calouros, primeiro com Chacrinha, depois com Silvio Santos.

A caricata e folclórica personagem acaba por apagar um pouco a extraordinária trajetória como genial intérprete.

“A maior cantora de sambas do País”, reafirma e reitera Paulinho da Viola.

Quem sou eu pra contestar o príncipe do samba falando sobre o samba em pessoa?

Ouça o disco “O Samba em Pessoa”, de 1961:

Fontes:

Wikipédia

O Globo

br.noticias.yahoo.com

radiobatuta.com.br

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