Billie Holiday grava “Strange Fruit”, a 1ª canção de protesto

Há 75 anos… dia 20 de abril de 1939.

20abr14

Uma imagem forte, assombrosa, terrível, triste.

Dois negros enforcados, pendurados em uma árvore.

Da trágica foto, um lindo poema, um retrato da realidade.

Do poema, uma canção histórica, imortalizada na voz de Billie Holiday.

Assim foi “Strange Fruit”, gravada por ela há 75 anos.

Impressionado e chocado com uma foto de 1930, de Lawrence Beitler, retratando o bárbaro enforcamento de Thomas Shipp e Abram Smith na cidade de Marion, em Indiana, Abel Meeropol, judeu branco de Nova York, professor e escritor, colocou no papel o seu espanto.

Sob o título de “Bitter Fruit” e o pseudônimo de Lewis Allan, Meeropol publicou o poema na The New Yorker Teacher, uma revisa de sindicato. Tempos depois, resolveu somar melodia aos versos e transformou o poema em música. A canção, agora com o nome de “Strange Fruit”, ganhou certa notoriedade como um hino de protesto em Nova York.

Então, chegou aos ouvidos de Barney Josephson, fundador do famoso Cafe Society, no Greenwich Village, o primeiro clube noturno com mistura de brancos e negros da Big Apple. Josephson sugeriu que Billie Holiday a gravasse. Dizem que Robert Gordon, diretor de shows da cantora no clube, foi o real introdutor da música à Billie.

Bem, não importa o pai da ideia. O fato é que Billie interpretou “Strange Fruit” no Cafe Society e já queria entrar no estúdio para gravá-la. Temendo retaliações de vendedores do Sul conservador, além de reações negativas da CBS, uma de suas donas, a Columbia recusou. Billie, então, recorreu ao produtor Milt Gabler, dono do selo de jazz alternativo Commodore. Gabler foi às lágrimas com ela cantando a música a cappella.

No dia 20 de abril de 1939, Billie finalmente gravava “Strange Fruit”. Um delicado arranjo de Gabler e uma introdução maravilhosa do piano de Sonny White nos preparam para a sua poderosa interpretação.  Uma performance à altura dos versos de Meeropol.

Foi sucesso imediato, vendendo um milhão de cópias, na época o recorde de Billie Holiday, que ainda a gravaria mais algumas vezes.

A história de “Strange Fruit” virou livro em 2012. Em Strange Fruit – Billie Holiday e a Biografia de Uma Canção, o jornalista David Margolick conta as histórias por trás da música.

Abel Meeropol ficaria conhecido por outros poemas transformados em músicas, como “The House I Live In”, sucesso na voz de Frank Sinatra. Outro fato colocaria Meeropol e a mulher, Anne, no centro das atenções: eles adotaram e educaram os filhos de Ethel e Julius Rosenberg, executados em 1953, sob acusação de espionagem comunista.

Mas essa história fica pra outro dia… Porque todo dia é histórico.

Ouça “Strange Fruit” na voz de Billie Holiday, gravação de 1939:

Fontes:

Wikipedia

billieholidaysongs.com

estadao.com.br

vermelho.org.br

npr.org

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