Joe DiMaggio estreia na MLB

Há 80 anos… dia 3 de maio de 1936.

Joe DiMaggio estreia na MLB

POR UBIRATAN LEAL*

A temporada havia começado bem para o New York Yankees. O time, que sofria com sua interminável fila de quatro anos sem títulos (é uma torcida mimada pela história), havia vencido 11 de seus 19 jogos e brigava cabeça a cabeça com o Boston Red Sox pela liderança da Liga Nacional de 1936. Ainda assim, havia expectativa de melhora, e ela chegou em 3 de maio.

Em uma partida dominical contra o St. Louis Browns (atual Baltimore Orioles), o time nova-iorquino resolveu colocar Joe DiMaggio para jogar. Apesar de ter apenas 21 anos, ele já vinha com algum cartaz. Pelo San Francisco Seals, uma equipe de ligas menores (uma espécie de segunda divisão, mas sem promoção e rebaixamento com a primeira), havia estabelecido recordes e mostrado grande capacidade de rebater com contato e com potência, dois fundamentos tidos como diferentes no beisebol.

Por isso, DiMaggio estreou logo na terceira posição do alinhamento, um lugar nobre, logo à frente de Lou Gehrig. E mostrou serviço rapidamente, com três rebatidas em seis oportunidades, uma corrida impulsionada e três corridas completadas. Só não foi o grande nome da vitória por 14 a 5 porque Gehrig foi ainda melhor, com quatro rebatidas em cinco oportunidades.

Mas ali começava um dos grandes capítulos da rica história dos Yankees, a franquia mais vencedora dos esportes norte-americanos. O defensor externo impressionava pela capacidade de rebater em circunstâncias diferentes. Em sua primeira temporada, foi o líder da liga em triplas. Na segunda, em home runs. Na quarta e na quinta, em aproveitamento. Na sexta, em corridas impulsionadas.

Era uma força da natureza. Sua facilidade de colocar a bola em jogo e chegar à primeira base era lendária. Em 1941, estabeleceu sua maior façanha: conseguiu rebatidas em 56 jogos seguidos, marca tida por muitos especialistas como a mais difícil de superar nas grandes ligas dos Estados Unidos. Uma estimativa concluiu que, pelo desempenho médio dos atletas da MLB de hoje, seria preciso 350 mil jogadores com carreira de 2 mil idas ao bastão para chegar a um com a série de 56. Em seus 140 anos de história, menos de 18 mil jogadores preencheram essas condições. Pela estatística, levaria séculos até haver outra sequência desse porte, mas os criadores de “Jornada nas Estrelas: Deep Space Nine” apostam que um jogador chamado Buck Bokai quebrará essa marca em 2026.

O recorde de DiMaggio é tão icônico que virou mote para um dos principais jogos de fantasy promovidos pela MLB. Pelo site oficial, qualquer torcedor pode se inscrever em um jogo para tentar bater a marca do ídolo dos Yankees. Para isso, basta escolher dois jogadores todo dia e torcer para um deles conseguir uma rebatida. Se chegar a 57, o sortudo ganha US$ 5,6 milhões. Em mais de 15 anos de concurso e milhões de usuários participantes, ninguém ganhou o prêmio.

Em 1942, seu auge, ele largou o beisebol para se alistar no exército norte-americano na Segunda Guerra Mundial. Mas o filho de italianos da Sicília não chegou a ir às frentes de batalha. Ficou em quartéis nos Estados Unidos ajudando no treinamento físico dos novos recrutas, antes de esses irem para a Europa ou o Pacífico. DiMaggio chegou a pedir para ser enviado para os combates, mas a ideia foi rejeitada.

Encerrou a carreira em 1951, mas deixou uma marca tão forte que continuou sendo uma figura presente na vida norte-americano, dos noticiários de celebridades às menções em livros (O Velho e o Mar), filmes e músicas (“Mrs. Robinson”, de Simon & Garfunkel, e “Vogue”, de Madonna, por exemplo). Em 1954, casou-se com a atriz Marylin Monroe. A união durou apenas um mês, em um divórcio que levou DiMaggio a fazer análise e a largar a bebida.

Depois de alguns anos, Joe e Marylin voltaram a se falar, criando especulações na mídia de que retomariam o casamento. Isso nunca aconteceu, mas ambos seguiram amigos até a morte da atriz. O enterro, aliás, foi bancado pelo ex-jogador, que providenciou que o túmulo recebesse flores novas três vezes por semana durante 20 anos.

DiMaggio morreu em 1999, aos 84 anos, vítima de câncer. Segundo seu advogado e melhor amigo, suas últimas palavras teriam sido “finalmente voltarei a ver Marylin”.

Mas essa história fica pra outro dia… Porque todo dia é histórico.

* Ubiratan Leal é editor dos sites Outra Cidade e Extratime e comentarista de beisebol e futebol dos canais ESPN.

O novato DiMaggio mostra como dar uma rebatida:

Fontes e +MAIS:

Wikipedia

– pbs.org

– baseball-reference.com

– fdrlibrary.marist.edu

– baseball-almanac.com

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