José Sarney toma posse como governador do Maranhão

Há 50 anos… dia 31 de janeiro de 1966.

José Sarney toma posse como governador do Maranhão

A posse de um governador é, em quase 100% das vezes, algo prosaico, corriqueiro, sem maior relevância. Em uma ou outra ocasião, torna-se qualquer coisa maior do que parágrafos nas páginas dos grandes jornais.

Foi exatamente o que aconteceu há cinco décadas. Os principais diários do País noticiaram a investidura do então jovem José de Ribamar Ferreira de Araújo Costa ao governo do Maranhão de maneira discreta. O Estadão, por exemplo, o incluiu em uma reportagem intitulada “Dez estados têm novos governantes”.

E por que a posse de Sarney ganhou o status de efeméride? O mérito é todo de Glauber Rocha. Não fosse por um dos pais do Cinema Novo e o fato seria apenas mais um na extensa jornada política de um homem que chegou ao cargo máximo da República.

Glauber transformou a chegada de Sarney ao Palácio dos Leões em um cult. O resultado está em “Maranhão 66”, um curta-metragem de pouco mais de 10 minutos que valeu de laboratório para um dos grandes filmes do cineasta, “Terra em Transe”.

A história é a seguinte: Sarney convocou o jovem diretor para registrar a sua campanha ao governo do estado. O já bigodudo candidato faria intensa caravana pelo Maranhão, visitando todos os municípios da região, e queria Glauber em seu encalço.

Deputado Federal por três mandatos, Sarney despontava como o novo, o moderno, o cara para derrotar a oligarquia de Victorino Freire, caudilho que mandava no estado havia mais de 30 anos. Pernambucano radicado no Maranhão, Freire dividia o seu apoio em dois candidatos: Renato Archer, da coligação PTB/PSD, e Costa Rodrigues, prefeito de São Luís, do PTN, também amparado pelo governador Newton Bello.

Com a coligação UDN e Arena (partido da ditadura) e endossado pelo presidente Castelo Branco, Sarney venceu de forma esmagadora, com o dobro de votos do segundo colocado, Costa Rodrigues.

Em 31 de janeiro de 1966, tomou posse diante de uma multidão na Praça Pedro II, no centro histórico de São Luís. Em discurso forte e prolixo, o então jovem de 35 anos prometeu acabar com a miséria, a fome, a desigualdade, a violência e todos os males deixados pelo chamado vitorinismo. #sqn!

Pô, mas e o filme? Bem, o filme acabou não entrando na campanha. Glauber fez à sua maneira e o resultado está aí embaixo. Tire suas próprias conclusões.

Dezenove anos, um mês e 15 dias depois, Sarney subiria a rampa em Brasília para receber a faixa de João Baptista Figueiredo – último presidente do regime militar – e assumir a presidência da República.

Mas essa história fica pra outro dia… Porque todo dia é histórico.

Em tempo: o post de hoje é dedicado ao amigo Hamilton Mathias, maranhanese, botafoguense e boliviano, que me mostrou o filme de Glauber Rocha e conta histórias do estado que um dia hei de conhecer. Valeu, fiote, tu é massa demais!

“Maranhão 66”:

Fontes e +MAIS:

Wikipédia

Acervo Estadão

– josesarney.org

– oglobo.globo.com

– fabiohenriquefc.blogspot.com.br

– memoriasdomaranhao.com.br

– revistadehistoria.com.br

– calle2.com

– IMDb

– colunaesplanada.blogosfera.uol.com.br

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