São Paulo é tricampeão do mundo

Há 10 anos… dia 18 de dezembro de 2005.

São Paulo é tricampeão do mundo

POR FELIPE FIGUEIREDO MELLO*

A história da conquista do Mundial de Clubes de 2005 pelo São Paulo Futebol Clube, no Japão, não é apenas a história de um jogo. Não se trata apenas de fatos, como o absoluto domínio territorial do time do Liverpool naquele gramado de Yokohama e da supremacia estatística em chutes ao gol, posse de bola, escanteios. Essa história não se conta “apenas” pelas magistrais defesas de Rogério Ceni, que naquele dia alcançou o panteão Tricolor ao lado de Raí, Careca, Serginho e tantos outros, ou pela assistência açucarada de Aloísio para Mineiro, “surpresinha” tática de Paulo Autuori, que balançou as redes de Pepe Reina depois de 11 sem ser vazado – e 18 jogos invicto!

Aquelas duas emocionantes horas no amanhecer do dia 18 de dezembro de 2005 são reflexo da História do clube, são metáfora da trajetória de um grande ídolo, são a mais perfeita tradução de uma tradição de família e de amigos. É até difícil ‘dissecar’ esse jogo para contar um relato, tantas e tamanhas as compreensões existentes para quem viveu intensamente a experiência.

Começo, então, pelo clube e seus símbolos: não poderia existir oportunidade mais perfeita para seguir escrevendo sua História. Percebendo a força da competição que existia, à revelia, há mais de quatro décadas, a FIFA decidiu tomar as rédeas da Copa Intercontinental e lhe dar um caráter oficial de torneio Mundial de Clubes. A edição de 2005 foi o segundo organizado pela entidade e o primeiro de uma série ininterrupta que segue até hoje. E o Japão era a óbvia sede do torneio, depois de 25 anos de expertise recebendo os maiores clubes e jogadores do planeta.

E o Japão também era o óbvio desejo para qualquer são-paulino. Nosso imaginário coletivo remete às madrugadas dos anos 90, vendo as máquinas de Telê Santana encantando os japoneses do outro lado do mundo. Os gols de Raí e Muller, em 92 e 93, respectivamente. A obsessão que havia se tornado o desejo de retorno ao país do Sol Nascente. Aqueles doze anos, vendo agora, parecem pouquíssimo tempo, mas foram uma eternidade na época, e parecia que nunca chegaria o dia de voltar.

Tudo fazia sentido: as bandeiras brancas com um círculo vermelho no centro e um símbolo do SPFC dentro do círculo vermelho, as reportagens de japoneses com a lembrança da “Ferrari” de Telê, os nomes dos jogadores do elenco escritos em ideogramas e a combinação das bandeiras brasileira e japonesa nas costas da camisa de treino. O São Paulo Futebol Clube sabia exatamente o que precisava ser feito! E como um clube que sabe bem que “suas glórias vêm do passado”, levou Raí para treinar junto ao elenco. Um símbolo. Um forte símbolo.

O São Paulo é isso: não esquece seus ídolos, suas raízes, sua trajetória. Tem gratidão por todos os que ajudaram a construir essa linda história!

Aquele Mundial também se conta pela trajetória do ídolo. Rogério Ceni era o sábio a transmitir aos mais jovens e inexperientes a grandeza daquela “cultura tricolor”. Ele havia testemunhado tempos gloriosos em sua juventude, soube escutar os sábios de sua época e esperar sua vez, havia consolidado dentro e em torno de si uma narrativa de ambição e conquistas, de muito suor, dores e sacrifícios e trabalho. Aquele dia era dia Dele. E não haveria lesão no menisco ou estrela do time adversário a negar aquele destino.

Aquela foi, sim, a maior atuação de um goleiro por um clube de futebol. Porque foi a maior atuação dentro do jogo mais importante para um clube. Foi sublime!

E o São Paulo é isso também: ídolos carregando o escudo no peito, carregando a história na bagagem, escrevendo novas páginas para a eternidade.

A manhã de 18 de dezembro, e também do dia 14, na dificílima semifinal contra o Al-Ittihad, foi para o torcedor o aperto daquele forte laço entre familiares e amigos. São estes os momentos que fazem o futebol transcender o que ocorre no gramado ou nas arquibancadas. São os momentos em que as entrelinhas e os interstícios emocionais mais apresentam substância! Na minha família, pra mim, aquele jogo contou a história de um traço muito nosso, que se apresenta muitas vezes silencioso, mas cotidiano.

É traço que vem do berço, levado pelo pai, pelo avô: coisa que não se explica, mas que se sente “em estado de graça”. Traço este que mexe humores desde tempos imemoriais! E entre os amigos é uma marca de devoção pelo futebol e pela instituição, não apenas uma bandeira ou conjunto de cores a defender. Como algo que aprendemos e compartilhamos com o mesmo grau de encantamento, surpresa e inexperiência. No meu caso, sei, é um traço de identidade que provavelmente sobressalta a maioria dos outros traços meus!

O que eu lembro daquele 18 de dezembro é de rever, de madrugada e antes da final, às partidas de 92 e 93. De dividir a ansiedade com os amigos. De estar com a família na cabeça o tempo todo e de pensar no quanto aquele lugar onde estava na hora do jogo significava pra todos nós. Até o lugar onde me sentei diante da televisão já tinha significado marcante pra mim. E me lembro da comemoração do gol do Mineiro, do apito final, das horas que se sucederam na mais completa alegria!

E o São Paulo, definitivamente, é isso: laços que contam histórias, vidas que se unem em torno de gols, partidas e campeonatos!

O São Paulo Futebol Clube é tempo passando, História se escrevendo e memória sendo preservada.

* Felipe Figueiredo Mello é são-paulino!

São Paulo 1 x 0 Liverpool, na íntegra:

Gol e melhores momentos:

+MAIS:

– Acervo Folha

– Acervo Estadão

– esporte.uol.com.br

– placar.abril.com.br

– imortaisdofutebol.com

– espn.uol.com.br

– lance.com.br

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