São Paulo é derrotado pelo Vélez na final da Libertadores

Há 20 anos… dia 31 de agosto de 1994.

São Paulo é derrotado pelo Vélez na final da Libertadores

Demorou muito para o menino de 13 anos entender o quê estava acontecendo. O chute seco e firme de Pompei chegou a bater na haste da trave, mas entrou. Era o fim.

Puxado pelo pai, logo se viu em meio às mais de 100 mil pessoas que deixavam o Morumbi.

Uma procissão quieta e triste.

“Agora, meu filho, viveremos tempos bicudos”.

Apesar de não saber ao certo o quê seriam “tempos bicudos”, entendeu muito bem a frase do pai. Mas não queria acreditar. Não gostou. Ficou com raiva do tom do velho. Aquele tom professoral, categórico, apocalíptico.

A verdade é que o menino não estava entendendo nada. Derrota não existia em seu vocabulário. Claro, ele já tinha visto algumas. Poucas, no entanto. E derrotas que não deixavam cicatrizes.

Naquele 31 de agosto de 1994, pouco depois de ter conhecido a morte, o menino conheceu a derrota.

Hoje, 20 anos depois, o adulto já entendeu tudo. Entendeu que as derrotas existem e deixam cicatrizes, mas passam, e que a glória não é para sempre, por isso deve ser saboreada com toda intensidade. Principalmente, entendeu a profecia do velho. Profecia que se realizaria, aliás.

Após a derrota para o Vélez Sarsfield de Carlos Bianchi e Chilavert, os tempos bicudos começaram no Clube da Fé. A partir daquele dia, tudo foi desmoronando, pouco a pouco. Até ser reerguido de novo!

Já havia sinais indicando um ponto final da Era Telê. A própria campanha naquela Libertadores, por exemplo. Desde o início, um time hesitante, no limite da eliminação. Uma equipe interessante, com três zagueiros (Válber, Junior Baiano e Gilmar) e sem centroavante (Muller e Euller formavam o rápido e insinuante ataque). Uma equipe com falhas, porém.

Nas eletrizantes oitavas contra o rival Palmeiras, Zetti garantiu o 0 a 0 no jogo de ida e Euller fechou a missão com dois gols no Morumbi, 2 a 1. Nas quartas, contra o chileno Unión Española de Sierra, 1 a 1 em Santiago e 4 a 3 em São Paulo, com boa dose de emoção.

As semifinais contra o cascudo Olímpia foram testes para cardíaco. Novamente Zetti foi heróico. O São Paulo venceu em casa (2 a 1), mas os paraguaios conseguiram o gol para levar a disputa para os pênaltis em Assunção. No fim, o camisa 1 deixou o tricolor vivo rumo ao tri.

A derrota por 1 a 0 no primeiro jogo contra o chato time do marrento Chilavert anunciava uma guerra no Morumbi. Aliás, o goleiro paraguaio tratou de jogar gasolina na fogueira. Disse, por exemplo, que pegaria um pênalti de Palhinha.

Com um Morumbi confiante e pronto para mais uma festa, o São Paulo fez a lição de casa: 1 a 0 no primeiro tempo, gol de Muller, de pênalti. No mínimo, haveria cobranças da marca fatal. No segundo tempo, Chilavert catimbou como nunca, o juiz uruguaio Ernesto Filippi não coibiu e ainda fez pior. Não viu a mão na bola de Gomez dentro da área!

Nos pênaltis, Chilavert cumpriu a promessa e pegou o chute de Palhinha logo na primeira cobrança.

Depois, um a um, todos converteram. Pompei deu o golpe final.

Naquela noite, o menino viu a derrota pela primeira vez.

A final da Libertadores de 1994:

Fontes:

Wikipédia

velezsarsfield.com.ar

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