Stoichkov, Letchkov e Cia. mandam Alemanha pra casa

Dia 10 de julho – Quartas de final

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Stoichkov, Letchkov e Cia. mandam Alemanha pra casa

POR PEDRO DE LUNA*

Estádio Parc des Princes, Paris, 17 de novembro de 1993. França e Bulgária empatavam em 1×1, resultado que bastava para a forte seleção de Eric Cantona se classificar para o Mundial de 1994. Eis que, no apagar das luzes, na última volta do ponteiro no relógio, Emil Kostadinov recebeu, dominou e marcou o gol da vitória que decretou o Maracanazo francês – veja aqui! A França estava muda e a zebra Bulgária estava na Copa!

Liderado pelo craque do Barcelona Hristo Stoichkov, o talentoso time búlgaro era visto como uma incógnita no Mundial de 94, ainda mais quando estreou perdendo por inapeláveis 3×0 para a lépida Nigéria, de Amunike, Amokachi e Yekini. No jogo seguinte, a recuperação: vitória de 4×0 sobre a Grécia, o sparring da Copa. A terceira partida seria uma prova de fogo pela classificação para o mata-mata: encarar a vice-campeã mundial Argentina, de luto pela perda de Maradona, flagrado no antidoping, mas ainda com estrelas como Batistuta, Caniggia, Simeone e Redondo. Sem se intimidarem, os búlgaros venceram com autoridade, 2×0, e chocaram novamente o mundo. O céu era o limite?

Nas oitavas de final, após um chocho empate em 1×1 com o México, o time do zagueiro e modelo Trifon Ivanov passou nos pênaltis e se credenciou para enfrentar seu maior desafio: a temida Alemanha, então campeã mundial, do artilheiro Klinsmann, de Matthäus, Möller, Völler e Hässler. Um dream team – envelhecido, mas um timaço – que justificou a frase de Gary Lineker quatro anos antes: “O futebol é um jogo muito simples: 22 homens correm atrás de uma bola por 90 minutos e, no final, os alemães vencem”.

Eu, então uma criança curiosa de 6 anos, lembro bem de, há exatamente 20 primaveras, assistir o jogo com meu pai, na casa da minha avó. Esse, certamente, foi o dia em que mais incorporei expressões a meu glossário futebolístico, ainda em suas primeiras páginas. Em meio a um primeiro tempo estudado de 22 europeus claramente sofrendo com o sol escaldante do verão senegalês de Nova Jersey, me recordo de meu pai me ensinando o que era uma “trivela”, quando, após lindo corte de Stoichkov em Wagner na linha de fundo, Balakov emendou um belo chute de três dedos, de primeira, que bateu manso na trave direita de Illgner e nos arrancou um “uuuh” no sofá.

Ainda antes do intervalo, a Alemanha reagiu quando o baixinho Hässler cruzou da direita achando o artilheiro Klinsmann livre, no costado da zaga búlgara, e eu finalmente descobri o que era um “peixinho”, embora este tenha sido defendido em dois tempos pelo goleiro Mikhaylov, que entre outras coisas, se notabilizou por usar uma simpática peruca (sim, é verdade). Ainda na primeira etapa, houve tempo para Hässler ciscar pela esquerda e rolar para Andreas Möller, da entrada da área, de primeira, soltar um pombo sem asa que morreria no fundo das redes não fosse a intervenção de Ivanov, o homem-lobo que quase perdeu seu estômago com a bolada.

O segundo tempo precisava de gols, eu queria apenas gols. O 0x0 não fazia jus à partida, dizia meu pai. Eu só concordava. Logo aos 3 minutos, bola lançada para Klinsmann na área e o carequinha Letchkov, o primeiro box-to-box que me recordo de ter visto na vida, comete pênalti infantil. Lothar Matthäus cobra rasteiro, desloca o goleiro e abre o placar para os alemães, que, confiantes, logo em seguida veem um gol de Rudi Völler ser anulado por impedimento, após rebote de mais um petardo de Andreas Möller que explodiu na trave.

E foi aí que os búlgaros decidiram dar o seu show. Aos 30 minutos, correndo contra o relógio, Stoichkov cava uma falta despretensiosa e agarra a bola avisando: “Eu vou cobrar”. Calmo como todo gênio, de canhota, colocou a bola por cima da barreira e longe do alcance de Bodo Illgner, que me fez descobrir o que era um (frustrado) “golpe de vista”. 1×1 e o jogo tinha outra cara! Letchkov, que apesar de parecer um senhor de idade, corria como um menino por todos os cantos do gramado, foi quem apareceu para fazer história novamente, aos 33 minutos do segundo tempo. Yankov, o volantão com jeito limitado, deu um lindo drible na ponta direita e achou um bom cruzamento que foi parar na careca mágica de Letchkov. Um mergulho bonito virou o jogo para os búlgaros, que heroicamente seguraram o resultado até o fim e despacharam os campeões alemães de volta para Berlim.

Ali uma das maiores páginas da história das Copas foi escrita. Pouco importa se os búlgaros perderam para a Itália na semifinal. O nome de Stoichkov, Balakov, Letchkov e companhia limitada já estava gravado nos autos futebolísticos para todo o sempre.

* Pedro De Luna, 26, achava que o Mundial de 94 tinha sido a Copa das Copas até ver Luis Suárez cravar seus molares no ombro de Chiellini. Ama tanto o futebol que, ao falar sobre o tema, não sabe escrever parágrafos pequenos e, por isso, pede sinceras desculpas ao editor de seus textos.

Os lances e os gols de Bulgária 2 x 1 Alemanha:

Fontes:

– fifa.com

– Wikipedia

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