Jornal Nacional estreia na Globo

Há 45 anos… dia 1º de setembro de 1969.

Jornal Nacional estreia na Globo

“O Jornal Nacional, da Rede Globo, um serviço de notícias integrando o Brasil novo, inaugura-se neste momento: imagem e som de todo o Brasil”, anunciou Hilton Gomes, às 19h45min do dia 1º de setembro de 1969, uma segunda-feira.

Entrava no ar o Jornal Nacional, a primeira transmissão em rede do País.

Costa e Silva, Rocky Marciano, o preço da gasolina e Pelé foram alguns personagens e assuntos da estreia, que teve 12 minutos de duração.

Gomes atualizou as notícias sobre o estado de saúde do general, afastado da presidência por causa de um derrame. Confirmou que Costa e Silva transferia os poderes a uma Junta Militar. Em 30 de outubro, Emílio Garrastazu Médici tomaria posse como novo comandante do Brasil da ditadura. Costa e Silva faleceria em 17 de dezembro.

Outra notícia daquele 1º de setembro foi a morte do boxeador americano Rocky Marciano. A lenda dos ringues morrera em desastre aéreo nos Estados Unidos no domingo, um dia antes de completar 46 anos.

A gasolina também foi tema no primeiro JN. A chamada gasolina azul (especial) sofria um reajuste e passava a valer 48 centavos de cruzeiro novo, enquanto a comum custava 39,1 centavos.

Para fechar com chave de ouro, o Rei do Futebol. No domingo, Pelé marcara o gol da classificação brasileira para a Copa do Mundo de 1970: 1 a 0 contra o Paraguai, para um dos maiores públicos da história do Maracanã, 183.341 pagantes.

“É o Brasil ao vivo aí na sua casa. Boa noite”, desejou Cid Moreira, ao final da primeira e bem-sucedida edição do JN.

“…E o Boeing decolou.”

Então diretor-geral de Jornalismo, Armando Nogueira escreveu a frase no script do primeiro programa e presenteou o diretor de imagens, Alfredo Marsilac, com a folha de papel.

Quarenta e cinco anos se passaram e muita coisa mudou no telejornal mais famoso do País. Apresentadores, apresentadoras, formatos, inovações, tecnologia, entre tantas outras transformações.

Capítulos e episódios marcantes, como o dia em que a Globo precisou abrir espaço para uma resposta de Leonel Brizola, lida ao vivo por Cid Moreira.

Mas essa história fica pra outro dia… Porque todo dia é histórico.

Veja um resumo da primeira edição do Jornal Nacional:

Fontes:

- Wikipédia

- Almanaque da TV Globo

- g1.globo.com

São Paulo é derrotado pelo Vélez na final da Libertadores

Há 20 anos… dia 31 de agosto de 1994.

São Paulo é derrotado pelo Vélez na final da Libertadores

Demorou muito para o menino de 13 anos entender o quê estava acontecendo. O chute seco e firme de Pompei chegou a bater na haste da trave, mas entrou. Era o fim.

Puxado pelo pai, logo se viu em meio às mais de 100 mil pessoas que deixavam o Morumbi.

Uma procissão quieta e triste.

“Agora, meu filho, viveremos tempos bicudos”.

Apesar de não saber ao certo o quê seriam “tempos bicudos”, entendeu muito bem a frase do pai. Mas não queria acreditar. Não gostou. Ficou com raiva do tom do velho. Aquele tom professoral, categórico, apocalíptico.

A verdade é que o menino não estava entendendo nada. Derrota não existia em seu vocabulário. Claro, ele já tinha visto algumas. Poucas, no entanto. E derrotas que não deixavam cicatrizes.

Naquele 31 de agosto de 1994, pouco depois de ter conhecido a morte, o menino conheceu a derrota.

Hoje, 20 anos depois, o adulto já entendeu tudo. Entendeu que as derrotas existem e deixam cicatrizes, mas passam, e que a glória não é para sempre, por isso deve ser saboreada com toda intensidade. Principalmente, entendeu a profecia do velho. Profecia que se realizaria, aliás.

Após a derrota para o Vélez Sarsfield de Carlos Bianchi e Chilavert, os tempos bicudos começaram no Clube da Fé. A partir daquele dia, tudo foi desmoronando, pouco a pouco. Até ser reerguido de novo!

Já havia sinais indicando um ponto final da Era Telê. A própria campanha naquela Libertadores, por exemplo. Desde o início, um time hesitante, no limite da eliminação. Uma equipe interessante, com três zagueiros (Válber, Junior Baiano e Gilmar) e sem centroavante (Muller e Euller formavam o rápido e insinuante ataque). Uma equipe com falhas, porém.

Nas eletrizantes oitavas contra o rival Palmeiras, Zetti garantiu o 0 a 0 no jogo de ida e Euller fechou a missão com dois gols no Morumbi, 2 a 1. Nas quartas, contra o chileno Unión Española de Sierra, 1 a 1 em Santiago e 4 a 3 em São Paulo, com boa dose de emoção.

As semifinais contra o cascudo Olímpia foram testes para cardíaco. Novamente Zetti foi heróico. O São Paulo venceu em casa (2 a 1), mas os paraguaios conseguiram o gol para levar a disputa para os pênaltis em Assunção. No fim, o camisa 1 deixou o tricolor vivo rumo ao tri.

A derrota por 1 a 0 no primeiro jogo contra o chato time do marrento Chilavert anunciava uma guerra no Morumbi. Aliás, o goleiro paraguaio tratou de jogar gasolina na fogueira. Disse, por exemplo, que pegaria um pênalti de Palhinha.

Com um Morumbi confiante e pronto para mais uma festa, o São Paulo fez a lição de casa: 1 a 0 no primeiro tempo, gol de Muller, de pênalti. No mínimo, haveria cobranças da marca fatal. No segundo tempo, Chilavert catimbou como nunca, o juiz uruguaio Ernesto Filippi não coibiu e ainda fez pior. Não viu a mão na bola de Gomez dentro da área!

Nos pênaltis, Chilavert cumpriu a promessa e pegou o chute de Palhinha logo na primeira cobrança.

Depois, um a um, todos converteram. Pompei deu o golpe final.

Naquela noite, o menino viu a derrota pela primeira vez.

Reportagem da Globo sobre a final da Libertadores de 1994:

Fontes:

- Wikipédia

- velezsarsfield.com.ar

Oasis lança Definitely Maybe, o primeiro álbum

Há 20 anos… dia 30 de agosto de 1994.

Oasis lança Definitely Maybe, o primeiro álbum

POR LEONARDO NADOLNY NASSOUR*

Num momento de tantas tensões políticas e novas esperanças como o que vivemos, é engraçado poder me transportar para 1994, morada dos meus 13 anos. Meu DeLorean? Um CD empoeirado, encapado com uma estranha fotografia de uma pequena sala onde cinco garotos hipnotizados assistem a uma pequena TV, enquanto, em alta velocidade, um globo gira em vão. No centro de toda a cena, Liam Gallagher em pose fúnebre.

“Eu vivo minha vida na cidade e não há saída fácil, os dias passam muito rápido pra mim”, desabafa, com voz estridente, o vocalista, logo na introdução da clássica faixa de abertura. O refrão era irresistível e não tinha como não gritar junto: “Essa noite eu sou uma estrela do Rock’n’Roll!!!”

Uma guitarra com sonoridade psicodélica inaugura a segunda, e brilhante, faixa. Em seguida, a frase “Eu gostaria de ser outra pessoa”. E que adolescente não gostaria?

E, então, surge a inesquecível bateria do expurgado Tony MacCaroll na introdução de “Live Forever”. Um belo hino aos bons companheiros. “Você e eu viveremos para sempre”, canta Noel, em falsete, roubando os vocais do irmão no refrão.

A quarta faixa é um dos pontos altos do disco. A mais política, denuncia, em ritmo alucinante, a insatisfação do operariado inglês com a coroa britânica. Pra mim, parecia que “Up in the Sky” tinha sido feita para minha professora de matemática!

“Columbia” é a faixa com a letra mais misteriosa. Uma bela viagem sobre a dificuldade de comunicação e entendimento. Seja entre classes sociais, gerações distintas ou a velha Europa e a América. Uma nave que explora diferentes mundos.

Em seguida é a vez da grandiosa “Supersonic” e sua mensagem direta para os bem-sucedidos garotos do giro financeiro londrino: “Você pode ter tudo isso, mas o quanto você quer isso? Você me faz rir”.

“Bring It on Down” é a mais raivosa de todas. “Eu sei que você tem um problema que o diabo mandou”! É quebradeira pra black block nenhum botar defeito! Rock’n Roll puro, mostrando toda influência que os Sex Pistols e o punk ainda tinham.

A emblemática “Cigarettes & Alcohol” denuncia a eterna descrença dos jovens com o mundo instituído. Vale a pena ter um trabalho no qual você não acredita? E vale a pena se matar para criar um riff novíssimo se você simplesmente pode chupar um pronto como “Get it On” do T-Rex?

A mais divertida do CD é “Digsy’s Dinner”. Uma letra esquisita sobre lasanhas e um teclado levando leveza a um álbum carregado de guitarras pesadas dão um tom cool pra faixa, que introduz a porção final e menos memorável do disco.

“Slide Away” é o ponto mais baixo. Uma melosa viagem romântica por aí resume a faixa.

Uma despedida melancólica de Liam fecha de forma surpreendente o álbum, em “Married with Children”, pavimentando o caminho para uma manhã mais gloriosa!

O álbum definitivo de uma geração? Talvez não. Mas uma boa prova de que, apesar de discos e memórias envelhecerem, a humanidade continua renovando sentimentos, inquietações e dúvidas!

Que o talvez seja definitivo! E o definitivamente talvez.

* Leonardo Nadolny Nassour é arquiteto e habitante da cidade.

Nota do blog: há controvérsias com relação a data exata de lançamento do disco. Alguns sites falam dia 29, outros falam 30. De qualquer maneira, fica registrada a homenagem!

Ouça Definitely Maybe:

Fontes:

- Wikipedia

- oasisnet.com

- billboard.com

- bbc.co.uk

- popload.com.br

Vanderlei Cordeiro supera trauma e leva o bronze em Atenas

Há 10 anos… dia 29 de agosto de 2004.

Vanderlei Cordeiro supera trauma e leva o bronze em Atenas

Foi um dia e tanto para o esporte.

Era o último da Olimpíada de Atenas, na Grécia. De manhã, no ginásio Paz e Amizade, a seleção brasileira masculina de vôlei conquistava a medalha de ouro com vitória sobre a Itália, por 3 sets a 1. Coroação de Bernardinho e da geração de Giba, Ricardinho, Nalbert, Serginho e companhia, além do bi olímpico para Giovane e Maurício.

Quase ao mesmo tempo, na Bélgica, Michael Schumacher levava seu sétimo e último título na Fórmula 1. O segundo lugar no GP realizado no circuito de Spa-Francorchamps consagrava definitivamente o alemão como o maior piloto da mais alta categoria do automobilismo mundial.

Mas o fato mais emocionante estava por vir.

Maratona, evento derradeiro dos Jogos da Grécia. A prova teria o exato trajeto feito por Feidípedes em 490 a.C., quando o soldado percorreu mais de 42 km para levar a notícia da vitória grega sobre os persas na Batalha de Maratona, na Primeira Guerra Médica. A origem da prova vem daí.

O brasileiro Vanderlei Cordeiro de Lima não estava entre os favoritos da disputa em Atenas. Então com 35 anos, tinha pouco destaque em maratonas internacionais, com raros bons resultados. Nas duas Olimpíadas anteriores, em Atlanta-1996 e Sydney-2000, obteve posições pífias (47ª e 75ª, respectivamente).

No novo ciclo olímpico, porém, alcançou duas marcas que deram certa esperança para a prova em Atenas: vitórias na Maratona Internacional de São Paulo, em 2002, e em Santo Domingo, em 2003, o bicampeonato pan-americano.

Ainda assim, não se colocava como candidato ao pódio na capital grega.

Até que a prova começou…

Depois do estouro da boiada e da arrancada dos chamados “coelhos”, Vanderlei se colocou no pelotão de elite. A partir da 1 hora de prova, se destacou em primeiro lugar e começou a abrir. Na metade do trajeto de 42,195 km, o brasileiro tinha 15 segundos de vantagem sobre o segundo colocado, o italiano Stefano Baldini. Com firmeza e foco, nada parecia deter o brasileiro rumo ao ouro.

Mas havia um padre no meio do caminho. Ou melhor: havia um ex-padre no meio do caminho.

Por volta do km 36, a menos de seis para a linha de chegada no estádio Olímpico, um louco vestido de saiote e trajes da Irlanda entrou na frente e agarrou Vanderlei, jogando o brasileiro na calçada, pra cima da multidão. A transmissão, que filmava o líder, cortou a câmera para o pelotão secundário.

No que a imagem retornou ao primeiro colocado, pôde-se perceber um Vanderlei absolutamente transtornado. Aos poucos, os 40 segundos que o separavam de Baldini viraram pó. A tensão e a abrupta interrupção de seu passo traumatizaram o brasileiro, que acabou perdendo a primeira e a segunda colocação.

Ainda assim, Vanderlei se superou. Retomou o foco e garantiu a medalha de bronze, salvando o atletismo brasileiro de passar em branco nos Jogos de Atenas.

“Acho que mostrei garra, determinação, como o soldado grego”, disse, emocionado, se comparando ao grego Feidípedes.

O terceiro lugar acabou transformando Vanderlei Cordeiro em herói nacional e exemplo de espírito esportivo. Além do bronze, também recebeu a Medalha Pierre de Coubertin, concedida pelo Comitê Olímpico Internacional para atletas que valorizam a competição olímpica além da simples vitória.

Depois de Atenas, Vanderlei virou celebridade e foi celebrado no Brasil e ao redor do mundo. No fim do ano, o Comitê Olímpico Brasileiro o elegeu “Atleta Brasileiro de 2004”, em festa que contou com a presença do simpático grego Polyvios Kossivas, o homem que o tirou das garras de Cornelius Horan.

Ele encerrou a carreira em 2009, após disputar a Maratona de Paris.

Mas essa história fica pra outro dia… Porque todo dia é histórico.

Veja o momento em que Cornelius Horan agarra Vanderlei Cordeiro:

Fontes:

- Acervo Estadão

- esporte.uol.com.br

- Wikipédia

- esportes.terra.com.br

- youtube.com

Beatles conhecem Bob Dylan… e a maconha!

Há 50 anos… dia 28 de agosto de 1964.

Beatles conhecem Bob Dylan... e a maconha!

É um clássico na biografia dos Beatles. Um hype, um folclore, uma historinha que todo e qualquer beatlemaníaco adora relembrar e recontar.

E foi só hoje, no aniversário de 50 anos da data, que me dei conta do absurdo: o dia em que Bob Dylan apresentou a maconha aos Beatles é, também e infinitamente mais importante, o dia em que os Beatles conheceram Bob Dylan!

Beatles e Bob Dylan!

A historinha sobre a banda, Dylan e a cannabis impressiona os amigos na mesa do boteco, a garota na festinha ou os irmãos mais novos. É cool.

Mas, caramba!, muito, mas muito mais importante é o encontro.

O encontro.

“Olhando em retrospecto, eu ainda vejo aquela noite como um dos grandes momentos da minha vida. Na verdade, eu tinha a consciência de que estava dando início ao encontro mais frutífero na história da música pop, pelo menos até então. Meu objetivo foi fazer acontecer o que aconteceu, que foi a melhor música de nossa época. Eu fico feliz com a ideia de que eu fui o arquiteto, um participante e o cronista de um momento-chave da história.”

Sábias e certeiras palavras do “mentor” da confraternização, o jornalista americano Al Aronowitz.

Alguns meses antes daquele dia, o amigo de Mr. Zimmerman havia entrevistado John Lennon e descoberto a admiração do beatle pelo trovador folk. John venerava e buscava inspiração nas letras de Dylan. Com isso em mente, o jornalista pensou no grande encontro dos “egos iguais”, modo como John se comparava a Dylan.

Durante a segunda turnê dos Beatles pelos EUA, John ligou para Aronowitz, perguntando sobre Bob Dylan. Os Fab Four estavam em Nova York, hospedados no Delmonico Hotel. “Ele está em Woodstock, mas eu posso trazê-lo!”, disse Aronowitz. “Sim, traz já!”, respondeu John.

E assim se deu a reunião que mudou a história da música e da cultura pop.

Ah, sim, a historinha…

Confusão na entrada do hotel, multidão e festa no andar dos Beatles. Afinal, eles estavam na capa da revista Life.

Acompanhado de Aronowitz e do roadie Victor Maimudes, Bob Dylan foi recepcionado pelo empresário Brian Epstein na entrada do quarto. “O que você quer beber?”, perguntou Epstein. “Vinho barato”, respondeu Dylan.

E lá foi Mal Evans, roadie, segurança e faz-tudo da banda, comprar a garrafa do líquido de Baco.

O esperado meeting estava gelado, protocolar. Até que os Beatles perguntaram se Dylan gostaria de tomar umas pílulas. Estavam acostumados aos estimulantes desde os tempos de Hamburgo.

“E maconha?”, retrucou Dylan, recusando. Ao que, para sua surpresa, os Beatles responderam: “Nunca fumamos antes!”.

“Mas e os versos ‘I get high, I get high, I get high’, questionou Dylan, sobre I” Wanna Hold Your Hand”. Encabulado, John corrigiu: “Não. Os versos são ‘I can’t hide, I can’t hide, I can’t hide’…”.

A tensão aumentou, mas Dylan tratou de atenuar tudo acendendo o cigarro que trazia no bolso. Acendeu, instruiu os rapazes de como se fumava, iniciou o ritual e passou para John. Inibido, ele preferiu repassar a Ringo. O baterista gostou tanto que fumou tudo sozinho!

Dylan e Aronowitz confeccionaram outros e cada um teve sua porção. O resultado foi um festival de risadas dos garotos de Liverpool, enquanto Dylan assistia a tudo.

Depois, tanto os Beatles quanto Dylan mudariam suas trajetórias musicais, certamente influenciados por aquela noite.

Mas essa(s) história(s) fica(m) pra outro dia… Porque todo dia é histórico

Na série Anthology, Beatles relembram encontro com Bob Dylan:

Fontes:

- beatlesbible.com

- folha.uol.com.br

- ultimateclassicrock.com

“Mary Poppins” tem prèmiere em Los Angeles

Há 50 anos… dia 27 de agosto de 1964.

“Mary Poppins” tem première em Los Angeles

Sorrisos, flashes, glamour.

Luzes, câmeras, ação!

Uma festa com toda a pompa de Hollywood, com direito a presença de célebres personagens da Disney, como a Branca de Neve e os Sete Anões, o Pateta, o Capitão Gancho, entre outros .

A noite no Grauman’s Chinese Theatre, em Los Angeles, era toda para Walt Disney. Festejado e adulado, chegou a bordo de uma limusine e junto com a mulher, Lilian.

Em segundo plano, estavam Julie Andrews e Dick Van Dyke, protagonistas do filme, mas não da festa.

A expectativa era grande para a première de “Mary Poppins”, novo filme dos estúdios Disney, baseado na bem-sucedida série de livros de P.L. Travers.

Mas, em meio a toda aquele gente, onde estava a criadora da futura babá mais famosa do cinema?

A “mãe” da protagonista do filme que pré-estreava não era bem recebida ali. Acabou assistindo à première, escondida. Arrasada com a “destruição” de sua obra, foi às lágrimas. Odiou tudo e todos. Principalmente, o protagonista da noite.

Essa e outras histórias sobre a polêmica produção de “Mary Poppins” foram contadas em “Saving Mr. Banks”, filme de 2013, com Tom Hanks e Emma Thompson, entre outras figuras conhecidas de Hollywood.

Assinado pelos estúdios do Mickey, o longa-metragem, claro, floreia bem acerca da guerra travada entre Disney e Travers. Puxa a brasa, óbvio, para Walt.

A polêmica em torno da realização não tira em nada o mérito de “Mary Poppins”, que completa 50 anos em 2014 e continua encantando crianças e adultos mundo afora.

Quem já não se pegou cantarolando “A Spoonful of Sugar” ou “Chim Chim Cher-ee”?

Ou não se alegrou com a brincadeira de “Supercalifragilisticexpialidocious”, “a palavra mais longa do mundo”?

Apesar das controvérsias fora do set, “Mary Poppins” fascina pela história, pela brilhante atuação de Julie Andrews – que lhe rendeu o Oscar de 1965 – e pela versatilidade de Dick Van Dyke, um verdadeiro showman ao interpretar mais do que o pé-rapado limpador de chaminé (tente adivinhar quais outros papéis ele faz!).

Dois anos e pouco depois daquela première, Walt Disney faleceria, vítima de câncer no pulmão. Já P.L. Travers morreria em 1996, com eterno desgosto do filme.

Mas essa(s) história(s) fica(m) pra outro dia… Porque todo dia é histórico.

Vídeo com a festa de lançamento de “Mary Poppins”:

Fontes:

- Wikipedia

- IMDb

- telegraph.co.uk

Palmeiras, 100 anos

26 de agosto de 1914

Palmeiras, 100 anos

POR LUIZ FERNANDO MONCAU*

Cem anos de Palmeiras – Volume II

A página em branco muitas vezes assusta. O que será que preencherá essas linhas? Será um dia de pouca ou muita inspiração? O que será?

Mais assustadora ainda é a página a ser preenchida num dia de tamanha magnitude. São 100 anos de histórias, lutas e glórias. Cem anos de lágrimas derramadas e emoções. Do ódio ao sorriso, do alívio à tensão. Cem anos de amizades que se cultivam sem perceber, de rivalidade, disputas, tragédias e comemorações. Diante de tanto, o que poderia ser uma página em branco, senão algo simples de preencher?

Na verdade, é fácil. Bastaria navegar pelos triunfos e recordar a maior goleada aplicada no rival, no eterno 8×0 de 1933. Ou pelo título Brasileiro de 1994, a única final disputada entre os maiores rivais. Quantas páginas seriam necessárias para descrever o dramático e esperado título Paulista de 93, a derrota por um gol no jogo de ida – com direito a imitação de porco e polêmica – e a volta por cima num sonoro 4×0 cheio de catimba, brigas e expulsões? Em quantos volumes caberia o sentimento que pulsava no peito durante a duríssima disputa nas semifinais da Libertadores de 2000? Como descrever este sentimento e a eliminação do rival pelas mãos de um Santo a bloquear os pés-de-anjo? Como fazer o leitor sentir o que senti, sem fazê-lo entender que 90 minutos podem carregar gerações de memória cultural.

Poderia fazê-lo do jeito simples, e descrever de maneira insossa os fatos de cada uma dessas jornadas. Zinho finalizou de pé direito e a bola tocou a trave antes de entrar. Fácil demais. Um leitor desavisado chegaria a achar exagero ver um palmeirense às lágrimas diante de algo tão corriqueiro.

Não se soubesse que Zinho era canhoto. Nem se soubesse o que cada um de nós passou nos 16 anos anteriores. Não se compreendesse que vestir uma camisa verde não é apenas um ato fútil de busca pelo entretenimento. É muito mais que isso, e a explicação não caberia em infinitas páginas.

Com muitas páginas preenchidas, poderia ignorar as tragédias. As recentes, as antigas, as derrotas doloridas, as viradas inacreditáveis a destruir nossos sonhos. Poderia deixar em branco os capítulos a narrar o coração batendo de raiva e o os dentes rangendo de ódio. Poderia suprimir cada provocação dos rivais, o telefonema provocativo da garota inocente após a mais dolorida derrota e a erupção de uma resposta atravessada (para dizer o mínimo e manter a elegância!). Poderia esquecer cada provocação e insulto após cada doída derrota. Poderia omitir tudo isso. Mas não me esquecerei de nenhum deles, jamais. E prefiro não preencher página alguma sem citar nosso fardo, o peso da derrota e nossos tropeços. Esta nunca seria uma história completa, muito menos digna ou honesta. E nós prezamos muito pela dignidade e honestidade. Vestir uma camisa verde não é apenas um ato fútil de ostentação e glória. É muito mais do que isso. E palavras escritas serão incapazes de explicá-lo.

Poderia agarrar-me ao épico, pois histórias grandiosas e dramáticas não faltam nessas centenárias páginas. Do fim da longa fila às Academias. Das eternas viradas e reviravoltas, seja pelas cabeças de Euller ou de Galeano. Da magia nos pés de tantos jogadores à santidade das mãos de tantos guarda-metas.

Talvez aí esteja parte da identidade verde que nunca se desfaz. Em cada palestrino supõe-se a disposição para a resistência e a reinvenção. Cada coração palmeirense carrega em seu DNA a memória dessa história. Resistência contra a agressão à nossa identidade, reinvenção na mudança de nome. Resistência e reinvenção na camisa azul de Oberdan, em óbvia referência feita à Azzurra naquele fatídico 20 de setembro de 1942, dia em que o “Palestra Itália morreu líder e o Palmeiras nasceu campeão”.

É preciso coragem para resistir. É preciso ousadia para inovar e se reinventar. Não é à toa que o melhor do Palmeiras emerge justamente nas páginas escritas com a maior ousadia. Do Parque Antarctica ao Allianz Parque. Da profissionalização do futebol à primeira experiência de co-gestão com uma empresa privada. Da Arrancada Heroica às Academias.

No dia de hoje, colocamos um ponto final no primeiro centenário de nossa história. Celebramos as lutas e as glórias do passado, as tragédias e as vitórias épicas que nos definem. E diante de nós se apresentam todas as páginas em branco do futuro.

Quem é palestrino não vai se assustar com as incertezas do caminho. Honrar nosso passado é resgatar a ousadia de olhar e andar para frente, juntando todas as forças para resistir qualquer adversidade e escrever o épico.

Parabéns à Sociedade Esportiva Palmeiras e a todos que, como eu, celebram essa história com lágrimas nos olhos. Mas inventar o futuro é nosso destino. E hoje começa o volume II da História do campeão do século passado.

* Luiz Fernando Moncau é palestrino desde 1982. Foi criador do perfil DiretasJáSEP no Facebook e no Twitter, utilizado para pressionar e organizar manifestações pela democratização da política palestrina. Associou-se ao clube em 2004, após a primeira queda, para tentar preencher as páginas em branco dessa linda e centenária história com mais glórias e títulos.

Hino da Sociedade Esportiva Palmeiras:

+MAIS:

- lancenet.com.br

- globoesporte.com

- esporte.uol.com.br

- palmeiras.com.br