Morre o ex-jogador Jair Rosa Pinto

Há 10 anos… dia 28 de julho de 2005.

Morre o ex-jogador Jair Rosa Pinto

“Não ganhei uma Copa, mas ganhei um filho”, disse, em visceral depoimento ao jornalista Geneton Moraes Neto, no livro Dossiê 50, uma compilação de entrevistas com todos os jogadores que estiveram em campo no fatídico 16 de julho de 1950, o Maracanazo.

Como lembra ótimo texto do Leandro Stein, nesta terça, na Trivela, se Barbosa e Ghiggia foram os atores fundamentais do teatro imortal vivido na relva do Mário Filho naquela tarde, Jair Rosa Pinto poderia ter sido o protagonista. Por una cabeza, o 10 brasileiro deixou de se transformar no herói do primeiro título mundial canarinho. E nunca se perdoou por isso.

Era o último lance, um escanteio para o Brasil. Friaça, autor do tento inicial do jogo, alçou a bola na área uruguaia e… Jair não conseguiu alcançá-la! Fim de jogo. Uruguai campeão.

“Eu fiz de tudo e a bola raspou, ela raspou na minha cabeça. Sonhei muito com o gol que perdi. Não, sonhei muito com o gol que não fiz de cabeça. Sempre antes de dormir eu penso no gol. Só sonho com o último lance, aos 44 minutos e 50 segundos. Eu sonhava assim: o Brasil com um time daquele não ganha a Copa do Mundo? Isso era o sonho. E então eu acordava espantado. Aí eu olhava assim e o Maracanã estava na minha frente”, disse.

A dificuldade em se perdoar mostra o caráter de um grandíssimo jogador, caminhante de uma estrada de mais de 25 anos de futebol. Um meia-esquerda refinado, ídolo de quatro grandes clubes do Brasil: Vasco, Flamengo, Palmeiras e Santos.

“Ninguém jogou mais que ele, e há quem tome a licença para usar essa frase não apenas em relação ao tempo de carreira”, escreveram André Kfouri e Paulo Vinicius Coelho, no ótimo Os 100 melhores jogadores brasileiros de todos os tempos.

Nascido em Quatis, no Rio, acabou apelidado com o nome da cidade vizinha: Jajá de Barra Mansa. O chute potente rendeu outra alcunha, de Jajá Coice de Mula.

No início, no Madureira, era só Jajá e formava o trio chamado de “Os Três Patetas”, ao lado de Isaías e Lelé.

De 1943 até 1947, fez parte do Expresso da Vitória, time histórico do Vasco da Gama que foi até campeão sul-americano em 1948, já sem Jair. O triênio no Flamengo começou bem e acabou mal, com direito a desavença com Ary Barroso, rubro-negro ensandecido.

Depois, vieram Palmeiras (49-55) e Santos (56-60), clubes pelos quais Jair jamais será esquecido. No Verdão, apagou um pouco a mágoa de 50 ao vencer a Copa Rio de 1951, considerado Mundial de Clubes posteriormente. No Peixe, formou linha excepcional com Dorval, Pagão, Pepe e um tal de Pelé.

São Paulo e Ponte Preta finalizaram uma trajetória quase completa.

Possivelmente, Jair Rosa Pinto, que odiava ser chamado de Jair “da” Rosa Pinto, trocaria todos os 23 gols com a camisa da seleção brasileira por aquele que lhe escapou na final de 1950.

Fontes e +MAIS:

trivela.uol.com.br

– Wikipédia

Acervo Estadão

– terceirotempo.bol.uol.com.br

Pernalonga aparece pela primeira vez na TV

Há 75 anos… dia 27 de julho de 1940.

Pernalonga aparece pela primeira vez na TV

Foi há mais de sete décadas que o mundo ouviu pela primeira vez uma das mais famosas frases da animação: “What’s up, Doc?”. É o famigerado “O que há, Velhinho?”, bordão do irreverente Pernalonga, que apareceu pela primeira vez em um desenho animado há exatos 75 anos.

Já na estreia, ele faz o quê quer com o pobre Hortelino Troca-letras (Elmer Fudd, em inglês), o ingênuo caçador, alvo preferido das peripécias da famosa lebre criada pela Warner Brothers. Lançado no dia 27 de julho de 1940, “A Wild Hare” – “Uma Lebre Selvagem” – é o primeiro desenho oficial do Bugs Bunny.

Criado por Rich Hogan, animado por Virgil Ross, Robert McKimson e Rod Scribner, produzido por Max Schlesinger e dirigido por Tex Avery, o curta tem roteiro mais do que manjado. Com pouco mais de 7 minutos, traz Hortelino à caça de coelhos e o insolente Pernalonga a castigar a simplória criatura com truques e brincadeiras.

Mel Blanc foi o responsável pela voz da lebre na estreia. A mistura de sotaque do Brooklyn e do Bronx, em Nova York, deu tão certo que Blanc se manteve como Pernalonga até a morte, em 1989. No Brasil, Mário Monjardim foi responsável pela dublagem do coelho por mais de 20 anos, mas até o humorista Ary Toledo se arriscou na função.

Sempre bom lembrar que a Warner Bros. já esboçava a ideia do Pernalonga em animações anteriores. Antes de 1940, o estúdio colocou vários personagens de coelhos em desenhos, mas nenhum tão peculiar e engraçado quanto o Bugs Bunny. Aliás, por falar no nome, o próprio Mel Blanc dizia que ele havia feito a sugestão, inspirado em Ben “Bugs” Hardaway, um desenhista e diretor da Warner.

Padrinhos à parte, o fato é que o Pernalonga virou sucesso instantâneo. Após quase 80 anos, os traços se modificaram, mas a picardia, a ousadia e a irreverência, que beiram ao irritante, diga-se, continuam afiadas. São mais de 160 curtas-metragens e até um Oscar, em 1958.

Em 1996, o Pernalonga protagonizou seu primeiro longa, ao lado do astro do basquete, Michael Jordan. “Space Jam” foi um blockbuster, com bilheterias de mais de US$ 230 milhões em todo o planeta.

Mas essa história fica pra outro dia… Porque todo dia é histórico.

Assista “A Wild Hare”:

Fontes:

Wikipedia

folha.uol.com.br

cbsnews.com

opovo.com.br

– time.com

Los Hermanos lançam 4, o último disco

Há 10 anos… dia 26 de julho de 2005.

Los Hermanos lançam 4, o último disco

Uma inequívoca ode ao silêncio.

Um despretensioso ensaio sobre o tempo.

Uma psicanalítica reflexão sobre a tristeza.

Um corajoso pacto com o amor.

Poucos entenderam a mensagem.

Uma década atrás, o mundo já era barulhento demais, fugaz demais, alegre de tudo e medroso de amor. No “longínquo” 2005, 4 soou estranho, deslocado, depressivo e complicado – até para os fãs incondicionais!

Hoje, possivelmente, a incompreensão persista.

O barulho aumentou, alavancado por mais redes sociais, de intolerância exponencial galopante.

O tempo ficou ainda mais fugaz, com seus whatsapps e snapchats.

A tristeza também ficou mais feia, mais pária, e surgiram mais e mais prozacs na praça pra enviá-la ao ostracismo.

O amor, então, esse já se mandou pra Pasárgada, cansado de tanta indelicadeza e agressividade.

Os poucos que realmente entenderam, sabem que a redenção está ali, nas linhas melódicas e nas letras sinceras das 12 faixas do disco.

Está no silêncio na abertura e no fechamento. Um respeitoso e raro hiato de som. “A música não está nas notas, mas no silêncio”, disse Mozart.

Ou no contemplativo jogo com o tempo, uma dança que convida a nos perder e a nos achar.

E também no imprescindível olhar pra dentro, bem dentro, mas bem dentro mesmo, aquele mergulho até alcançar a tristeza, pegá-la pela mão, sem receio, convidando-a para uma infinita conversa.

Está, acima de tudo, no destemido e fiel contrato com o amor, uma entrega singular, generosa, eterna.

Com o 4, o Los Hermanos conseguiram tocar o cerne do coração humano e fizeram o tempo parar, contrariando a solar “O Vento”, sem dúvida, a melhor de todas as músicas deles. De todas, mesmo.

É um disco que traduz sentimentos com uma simplicidade tristemente lírica e bela.

“Se a gente já não sabe mais

Rir um do outro, meu bem

Então o que resta é chorar”.

Pois, então, fiquemos assim:

Los Hermanos é a explosão, a carinhosa estreia, jamais esquecida.

Bloco do Eu Sozinho é o máximo, o cult entre os fãs de carteirinha.

Ventura é o disco mais eclético, talvez o mais pop.

4 é o melhor.

Ouça:

Fontes e +MAIS:

Wikipédia

– folha.uol.com.br

– noticias.orm.com.br

– allmusic.com

Bob Dylan e a guitarra no Newport Folk Festival

Há 50 anos… dia 25 de julho de 1965.

A polêmica apresentação de Bob Dylan no Newport Folk Festival

Em 1963, ele cantou “Blowin’ in the Wind” com Joan Baez, Peter Paul and Mary e outros artistas.

Em 1964, debutou solo, mostrando “With God On Our Side” e “Mr Tambourine Man”.

Chegou 1965 e Mr. Zimmerman era o cara, o artista que havia levado o folk ao mainstream e, portanto, a principal atração da edição do Newport Folk Festival. Todos ansiavam por sua apresentação no palco central.

No sábado, dia 24, ele fez uma espécie de pocket show e, com o violão a tiracolo, cantou três músicas: “All I Really Want to Do”, “If You Gotta Go, Go Now” e “Love Minus Zero/No Limit”. Não ficou muito satisfeito em ser colocado ali.

Afinal, ele já era Bob Dylan!

Conta o então roadie Jonathan Taplin – posteriormente road manager de Dylan – que ele queria surpreender no show principal do dia seguinte. Por surpresa leia-se guitarra! Sim, Dylan pretendia chocar o acústico universo do tradicional festival ao aparecer no palco com uma Fender Stratocaster.

“Well, fuck them if they think they can keep electricity out of here, I’ll do it”, teria dito para Taplin.

Para ele, o movimento fazia todo sentido. No dia 20, chegara às lojas o single “Like a Rolling Stone”, um divisor de águas em sua carreira, um marco histórico da música e, principalmente, do rock and roll. Uma música que mudaria a sua direção artística.

No entanto, poucos no festival sequer sabiam da existência de “Like a Rolling Stone”. Para uma esmagadora maioria, Dylan ainda era o Deus-mor do folk.

Na noite de 24 de julho, juntou alguns caras para ensaiar as canções da apresentação do dia seguinte, incluindo, óbvio, a nova composição. Aliás, dois músicos que participaram da gravação de “Like a Rolling Stone” faziam parte da “banda”:Mike Bloomfield na guitarra solo e Al Kooper no órgão. Havia pouco tempo, mas Dylan estava decidido.

Em 25 de julho de 1965, diante de 100 mil pessoas, Mr. Zimmerman subiu ao palco do Newport Folk Festival empunhando uma guitarra elétrica. Antes mesmo de iniciar os acordes de uma versão rock de “Maggie’s Farm”, as vaias começaram. E persistiram. E aumentaram. A resposta? Mais rock and roll! E tome “Like a Rolling Stone” e “It Takes a Lot to Laugh, It Takes a Train to Cry” eletrificadas!

Quando Dylan deixou o palco, havia um misto de vaias e aplausos. Até hoje, existem inúmeras e diferentes versões sobre a mais polêmica das apresentações dele. Muitos dizem que não houve consenso, ou seja, um apupo uníssono e uniforme, mas, sim, uma clara divisão na plateia, entre os que aprovaram e os que desaprovaram a guitarra. Outros, como o renomado cantor folk Pete Seeger, falam que a péssima qualidade de som foi a causa das vaias.

No mais, poucos se lembram que Dylan retornou ao palco para ser unanimemente ovacionado pelo público. Com “Mr. Tambourine Man” e It’s All Over Now, Baby Blue” ao violão e pedidos de bis, ele se despediu de Newport, onde só retornaria em 2002.

Mas essa história fica pra outro dia… Porque todo dia é histórico.

“Maggie’s Farm”:

Fontes:

bobdylan.com

Wikipedia

history.com

books.google.com

cbc.ca

Festival de Inverno de Campos do Jordão realiza 1ª edição

Há 45 anos… dia 24 de julho de 1970.

Festival de Inverno de Campos do Jordão realiza 1ª edição

“Os acordes iniciais de ‘Jesus, alegria dos homens’, de Bach, tocados por Magdalena Tagliaferro, abrirão os Concertos de Inverno hoje à noite em Campos do Jordão, dando início a um dos empreendimentos culturais mais importantes já promovidos por um govêrno estadual do País. O responsável pela iniciativa é o ex-secretário da Fazenda, sr. Arrôbas Martins, que também foi o idealizador do Museu de Arte Sacra, recentemente inaugurado na capital.”

Na edição de 24 de julho de 1970, uma sexta-feira, como hoje, o Estadão dedicou grande espaço para o I Festival de Inverno de Campos do Jordão, atualmente o maior e mais importante de música clássica na América Latina.

Inspirado no Festival de Tanglewood, em Massachusetts, nos Estados Unidos, o festival foi criado pelos maestros Eleazar de Carvalho, Guarnieri e Souza Lima, sob a organização de Luiz Arrôbas Martins, como diz a abertura da reportagem do jornal, além, claro, da participação do então governador do estado, Abreu Sodré.

A primeira edição aconteceu entre os dias 24 de julho e 1º de agosto e teve participações de renomados músicos brasileiros, como a própria Magdalena Tagliaferro. Aliás, ela estreou um novo piano para abrir o festival, como também lembra a matéria do Estadão.

A partir de 1973, foram iniciados cursos para bolsistas, ideia de Eleazar de Carvalho, hoje absolutamente consolidada. O local também mudou: desde 1978, é realizado no Auditório Campos do Jordão, que em 1989 ganhou o nome de Cláudio Santoro, em homenagem ao maestro.

Hoje, 45 anos depois, ilustres nomes da música erudita passaram pelo Cláudio Santoro, como Yehudi Menuhin, Hugh Ross, Mstislav Rostropovich, Michel Philippot, Kurt Masur, Dame Kiri Te Kanawa, Trio Beaux Arts, Ysaÿe Quartet e Le Poème Harmonique, entre outros.

O centro de estudos também formou grandes artistas, como o maestro Roberto Minczuk, hoje o diretor do festival, além de diretor artístico do Theatro Municipal do Rio de Janeiro, bem como regente titular da Orquestra Sinfônica Brasileira da capital fluminense.

Mesmo com a criação do Festival de Campos do Jordão, ainda não existem no País outros eventos similares dedicados à música erudita.

Mas essa história fica pra outro dia… Porque todo dia é histórico.

“Jesus, alegria dos homens” ao piano:

Fontes:

Acervo Estadão

Wikipédia

– festivalcamposdojordao.org.br

– camposdojordao.com.br

Golpe da Maioridade instaura Segundo Reinado no Brasil

Há 175 anos… dia 23 de julho de 1840.

Golpe da Maioridade instaura Segundo Reinado no Brasil

Brasileiros!

A Assembleia Geral Legislativa do Brasil, reconhecendo o feliz desenvolvimento intelectual de S.M.I. o Senhor D. Pedro II, com que a Divina Providência favoreceu o Império de Santa Cruz; reconhecendo igualmente os males inerentes a governos excepcionais, e presenciando o desejo unânime do povo desta capital; convencida de que com este desejo está de acordo o de todo o Império, para conferir-se ao mesmo Augusto Senhor o exercício dos poderes que, pela Constituição lhe competem, houve por bem, por tão ponderosos motivos, declará-lo em maioridade, para o efeito de entrar imediatamente no pleno exercício desses poderes, como Imperador Constitucional e Defensor Perpétuo do Brasil.

Brasileiros! Estão convertidas em realidades as esperanças da Nação; uma nova era apontou; seja ela de união e prosperidade. Sejamos nós dignos de tão grandioso benefício.

Paço da Assembleia Geral, 23 de julho de 1840

Em uma “canetada”, iniciou-se o Segundo Reinado no Brasil. Com a Declaração da Maioridade, ato capitaneado pelos liberais (ou progressistas), o menino Dom Pedro II, então com 14 anos, assumiu o trono, Foi o fim do Período Regencial no País, que começara em 1831.

“A Regência terminou por pressão, principalmente, das elites das grandes províncias, que perceberam a necessidade de ter um comando centralizado. Essas elites pressionaram no sentido de que fosse decretada a antecipadamente a maioridade de D. Pedro, que era um menino de 14 anos. E, com isso, D. Pedro foi considerado maior, subiu ao trono e começou no País o período do chamado Segundo Reinado”, explica o historiador Boris Fausto (vídeo abaixo).

As elites entendiam ser urgente o retorno de um comando mais central, simbolizado na figura de um imperador, fundamentalmente por causa das inúmeras revoltas sociais que aconteciam no Brasil, tais como a Guerra dos Farrapos, Sabinada, Cabanagem, Balaiada, Revolta dos Malês, entre outras.

Após o chamado Golpe da Maioridade, foi instaurado um Ministério da Maioridade, também conhecido por Ministério dos Irmãos, já que era formado pelos irmãos Antônio Carlos e Martim Francisco de Andrada e os irmãos Cavalcanti, futuros Viscondes de Albuquerque e de Suassuna, além de outros membros.

O Segundo Reinado trouxe, de imediato, o cessar das insurgências, sendo que as últimas foram a Balaiada, em 1841, e a Guerra dos Farrapos, em 1845. Ademais, foi um período de extremo progresso cultural e econômico, com grande integração territorial. Nessa época surgiram, por exemplo, as primeiras estradas de ferro.

Mas essa história fica pra outro dia… Porque todo dia é histórico.

Em tempo: a foto do post reproduz o quadro “O ato de coroação de Dom Pedro II” (1842), do pintor François René Moreaux. A coroação, aliás, ocorreu em julho de 1841.

Boris Fausto e explica o Golpe da Maioridade:

Fontes:

Wikipédia

infoescola.com

– historiaonline.com.br

“A Marcha dos Pinguins” estreia nos EUA

Há 10 anos… dia 22 de julho de 2005.

“A Marcha dos Pinguins” estreia nos EUA

POR RICARDO MARTENSEN*

Um grupo de corpos negros caminha distante em meio à imensidão branca do gelo. Lembram beduínos em seu lento e misterioso deslocamento pelo deserto. Em off, a voz inconfundível de Morgan Freeman fala de uma lenda. Uma tribo teria bravamente resistido ao congelamento de um continente inteiro que acabou se deslocando para o extremo sul do Planeta: a Antártida. Segundo o texto, a história destes indivíduos retrata muito mais do que sobrevivência. É também uma história de amor.

Assim começa “A Marcha dos Pinguins”, documentário que narra a incrível jornada dos pinguins imperadores, desde a saída do mar até o local de procriação, no interior do continente Antártico.

Documentários de natureza frequentemente atribuem sentimentos e comportamentos sociais de humanos aos animais retratados. É a forma mais simples de se estabelecer uma conexão entre a audiência e os personagens. A intenção é que, em dado momento do filme, já estejamos torcendo pela recuperação do rinoceronte “X” ou se emocionando com a formação do casal de jovens leopardos. Não obstante, muitas vezes estas associações são muito forçadas e um tanto ridículas.

“A Marcha dos Pinguins” consegue achar um ponto equilibrado dentro deste estilo, nos proporcionando um denso mergulho na dinâmica de um grupo de animais, ao mesmo tempo em que evita individualizações piegas.

O fio condutor da história é a incrível capacidade de sobreviver e se reproduzir no lugar mais escuro, seco e frio da Terra. A fotografia é impressionante – especialmente quando se imagina que muitas das imagens foram feitas sob temperaturas próximas dos 50 graus negativos. O filme realmente transmite essa sensação.

A associação com nossas vidas, no entanto, aparece a todo momento: a luta por um parceiro, a monogamia, a “inveja” de uma mãe que perdeu sua cria e tenta roubar a de outra fêmea. Por fim, o jeitão desengonçado dos pinguins garante boas risadas e a inevitável identificação com os bichos.

A fórmula deu certo, resultando em grande sucesso de crítica e público. O filme venceu o Oscar de Melhor Documentário e se tornou a segunda maior bilheteria do gênero nos EUA, ficando atrás apenas de “Fahrenheit – 11 de Setembro”, de Michael Moore, lançado um ano antes.

Mas essa história fica pra outro dia… Porque todo dia é histórico.

* Ricardo Martensen é documentarista e apaixonado por boas histórias.

Trailer:

+MAIS:

IMDb

Wikipedia

history.com