4 de julho de 1865

(“É tarde, é tarde, é tarde…”, mas tem post, sim, senhor!)
Oxford, Inglaterra, 4 de julho de 1862.
Em um ensolarado dia de verão, os Lidell passeavam de barco pelo Tâmisa. Entediadas com o programa, as filhas de Henry pediram para o amigo da família, Charles Lutwidge Dodgson, contar uma história.
Escritor, matemático, professor e fotógrafo, Dodgson era bom de papo, principalmente com crianças. Então, começou a criar uma trama interessante para entreter Lorina (13), Alice (10) e Edith (8).
A aventura de uma menina chamada Alice tinha bichos, como o Coelho Branco e a Lagarta, tipos exóticos, como o Chapeleiro Louco, e até um Rei e uma Rainha de Copas, entre outros tantos personagens fantásticos.
As três meninas ficaram fascinadas com o enredo, principalmente Alice, que fez um pedido especial para Dodgson: “Tio Charles, você pode escrever essa história pra mim?”.
No dia seguinte, começou a nascer Alice no País das Maravilhas.
Ao menos, essa é a versão mais conhecida sobre a origem do livro infantil mais famoso de todos. Como quase tudo que cerca Alice, existe muita lenda. Dizem, por exemplo, que aquele 4 de julho não estava nada ensolarado, mas bem britânico: friozinho, chuva e nuvens.
O que não tem discussão é a criatividade, a inventividade, a sensibilidade e o lirismo de Charles Lutwidge Dodgson, mais conhecido pelo pseudônimo de Lewis Carroll. Ele construiu um marco na literatura infantil.
Alice no País das Maravilhas mudou completamente a essência dos livros para as crianças. Antes, eles tinham o objetivo de impor a moral dos adultos. Carroll inverteu tudo: colocou uma menina no centro da trama e lhe deu voz. Inquieta, curiosa e questionadora, a protagonista agora é que aponta o dedo e o alvo são os adultos e suas loucuras, falsas morais e maldades.
Sem dúvida, um divisor de águas histórico para a literatura ocidental.
Hoje, nos 150 anos do primeiro lançamento, o culto, os mitos, a idolatria e as reinterpretações do livro de Lewis Carroll não param.
Em 2010, o igualmente inventivo diretor Tim Burton deu a sua interpretação para o clássico de Carroll.
Mas essa história fica pra outro dia… Porque todo dia é histórico.
Trecho do desenho da Disney, de 1951:
Fontes:
