Palmeiras é campeão brasileiro

 Há 20 anos… dia 19 de dezembro de 1993.

19dez13

POR LEANDRO BEGUOCI*

Eu me tornei palmeirense em 1992. Estava na terceira série do ensino fundamental e escolhi o time por causa do meu padrasto e por um gol do Evair. O Evair fez um gol que furou a rede. Meu padrasto ficou tão feliz com aquele gol, depois de uma semana bem tensa, que me ergueu para o céu e me chacoalhou como se eu fosse um troféu de algum torneio particular. Adorei aquilo. Mas não era uma época muito fácil para ser palmeirense.

Quando eu cheguei à escola de verde e branco, tive de aguentar todas as piadas do planeta sobre filas. A minha favorita era: “O Leandro pode ir para o final da fila da merenda, igual o Palmeiras no futebol HAHAHAHAHAHA”. Dos meus tios corintianos, eu tive de ouvir que, quando eu nasci, já fazia um bom tempo que o Palmeiras não ganhava nada.  Paciência.

Até que veio o Campeonato Paulista de 1993, os 4 a 0 sobre o Corinthians e o alívio. Mas o alívio veio acompanhado da constatação precoce de que o palmeirense é, antes de tudo, um forte. Educado pela pedra, apaixonado por um time difícil, belo e complicado como uma ópera wagneriana, o palmeirense está sempre esperando a próxima tragédia. Era o meu caso. Por que raios tinha de ter gol do Viola no primeiro jogo?

Na minha cabeça de começo da adolescência, eu me alegrara profundamente com o Paulistão de 1993, mas estava tenso com o Campeonato Brasileiro daquele ano. Fazia 20 anos que o Palmeiras não conquistava o Brasileirão (fomos campeões em 1972 e 1973, e nunca mais até então). Meus tios e meus colegas de escola estavam alucinados. Diziam que o Palmeiras nunca mais seria campeão de nada, que o Paulistão era fruto do esquema Parmalat, que o Edmundo não era nada disso, que o Evair era um grosso superestimado. Essas coisas de deixar criança sem dormir direito nas noites anteriores aos jogos.

Para piorar, o Corinthians fazia uma campanha fantástica naquele Brasileirão confuso, com uma infinidade de times, grupos e regras caóticas. Havia uma grande expectativa de que aquele Corinthians reforçado após a chacoalhada do Paulistão fizesse a final contra o Palmeiras. Apesar dos sinais positivos (1993 foi o ano em que fui ao Palestra Italia pela primeira vez e o ano em que César Sampaio fez aquele golaço contra o São Paulo), a minha cabeça de criança via tragédia em todo lugar. Até mesmo quando o time do Parque São Jorge fora eliminado pelo Vitória. Ainda me lembro do meu padrasto, tenso, me transmitindo elegantemente, silenciosamente, quase indiferente, seu próprio nervosismo. Afinal, ele vira o Palmeiras perder alguns anos antes um Paulistão para a Inter de Limeira. Felizmente, o Palmeiras fez aquilo que meu avô dissera que faria: “Aqui é Palestra, cazzo! Sem paúra!”

No dia 19 de dezembro de 1993, o Palmeiras bateu o Vitória por 2 a 0, com gols de uma das maiores duplas já inventadas pelo homem. Edmundo e Evair marcaram e confirmaram que o Verdão estava de volta. Era o começo de uma década mágica. Quando voltei para a escola, em 1994, eu já podia encarar meus amigos de igual para igual. Agora é a sua vez, meu irmão, de ir para o final da fila da merenda.

* Leandro Beguoci é jornalista, 78% Caieiras e 12% Pirituba, professor da pós-graduação em comunicação multimídia da FAAP, professor da Escola São Paulo, colunista da revista VIP, editor-chefe da F451 (empresa que publica o Gizmodo no Brasil), sócio da OrbitaLAB e fã da dupla Edmundo e Evair. Trabalhou na Folha de S.Paulo, Veja e iG. Criou o primeiro debate eleitoral online do Brasil, implantou o online do grupo FOX no Brasil, fundou o foxsports.com.br, entrevistou o Papa e o Snowden. Mas se orgulha mesmo é do autógrafo do César Sampaio em 1994.

Assista Palmeiras 2 x 0 Vitória com narração de Galvão Bueno:

Fontes:

Acervo Estadão

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