Beatles lançam Rubber Soul

Há 50 anos… dia 3 de dezembro de 1965.

Beatles lançam Rubber Soul

POR FELIPE FIGUEIREDO MELLO*

Há quem diga que o grande ano do breve século XX tenha sido 1968. É difícil discordar!

Ano de distensões plenas, de divisões entre o arrojo progressista de uma juventude cheia de ideias e o conservadorismo do establishment. É o ano das Primaveras de Praga e de Paris!

No caso dos Beatles, o ano de grandes distensões, divisor de águas mesmo, foi 1965! Este foi o ano em que eles começaram a abandonar o frenesi maníaco, quase explosivo, das baladas amorosas, das turnês incansáveis, das drogas estimulantes e iniciaram jornadas pessoais e coletivas de autoconhecimento, de exploração musical, de viagens canábicas e, por que não?, de rompimentos amorosos.

1965 foi o ano que delineou praticamente toda a carreira da banda e dos quatro beatles como músicos solo.

O dia de hoje celebra os cinquenta anos de Rubber Soul, o primeiro álbum-conceito do rock e uma espécie de chave-de-ouro fechando este riquíssimo ano.

Sem trocadilho, Rubber Soul é um disco com alma! É um álbum com vida própria porque tem começo, meio e fim (o tal do ‘conceito’), porque mais do que a batuta de George Martin, foi a brilhante harmonia do quarteto que definiu sua estética. Mas é um disco com alma, principalmente, porque dialoga profundamente com o ouvinte. É como se eles quatro estivessem abrindo suas caixas-de-pandora mais íntimas e particulares e nos oferecendo leituras artísticas delas para que nos fosse compreensível. É disso que se trata “Nowhere Man”, uma das mais belas letras já escritas, ou “In My Life”, que é puro Lennon exposto aos nossos ouvidos e corações!

E os Beatles tinham esse quê dos gênios (e dos loucos!), como se fossem ‘antenas’, captando sinais externos incompreensíveis, transformando-os em linguagem e difundindo-os para todos os cantos. Eles anteciparam, já em 1965, a difusão das drogas em escala global, o desprendimento amoroso e a expressão da rebeldia que marcaram 1968.

Não há no disco sequer uma música deslocada de contexto: “Drive My Car” e “Run For Your Life”, respectivamente, abre e fecha o álbum com um tema de romance desprendido, desapaixonado, como “Norwegian Wood”, que conta subliminarmente um caso extraconjugal de Lennon. Nessas três músicas, também, há um George Harrison de mangas arregaçadas e absolutamente criativo com sua guitarra e inovador com os acordes de cítara (sua porta de entrada para o Oriente!). “I’m Looking Through You”, “You Won’t See Me”, “Think For Yourself” e “If I Needed Someone” indicam um amadurecimento dos garotos no amor, como canções que celebram o rompimento com altivez, mais que a insegurança juvenil das canções dos anos anteriores.

Além da experiência com a maconha, Bob Dylan também (e principalmente) ofereceu ao quarteto uma interlocução com o folk, que tanto aparece nos arranjos das músicas do disco.

O nome Rubber Soul também indica amadurecimento estético, porque é um diálogo com o conceito da Plastic Soul, com o qual músicos negros classificavam a artificialidade da música dos brancos. O nome do álbum é, ao mesmo tempo, uma confissão de inaptidão e uma carta-de-apresentação dos músicos britânicos àqueles que eles tanto admiravam. Mostra de humildade e arrojo!

A capa é resultado do fotógrafo Roberto Freeman com o acaso. Paul conta que depois de uma sessão de fotos, Freeman propôs mostrá-las em uma projeção de slides sobre um pedaço de cartolina do tamanho de um vinil, para terem uma ideia exata do que seria o produto final. A certa altura, a cartolina caiu para trás e a projeção ficou deformada no papel: “Hey… Rubber Soul!”, disseram eles (antenas!), apontando para a foto.

Um último simbolismo do impacto do álbum foi que este desbancou, ainda nas últimas semanas de 1965, a trilha sonora de A Noviça Rebelde. Um prenúncio de que novos tempos estavam chegando…

* Felipe Figueiredo Mello queria ter vivido em 1965!

Rubber Soul:

E Rubber Soul em 8-bit!:

Fontes e +MAIS:

Wikipedia

– thebeatles.com

beatlesbible.com

– allmusic.com

– bbc.co.uk

– brasil.elpais.com

– huffingtonpost.com

– ultimateclassicrock.com

– rollingstone.com

 

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