Emmeline Pankhurst discursa pelo voto feminino

Há 100 anos… dia 13 de novembro de 1913.

13nov13

Quem vai à Londres e visita a área onde está o Parlamento, a Abadia de Westminster e o famoso Big Ben, se depara com outro monumento, um pouco escondido e bem menos conhecido do que os cartões-postais da capital da Inglaterra.

É a estátua de uma mulher.

Uma personagem que está na lista das 100 personalidades do século 20, da revista Time.

Ela é Emmeline Pankhurst, principal líder do movimento pelo voto feminino na Grã-Bretanha, que teve seu auge nas duas primeiras décadas do século passado.

Nascida Emmeline Goulden, em 14 de julho de 1858, em Manchester, filha de pais progressistas, tomou contato com o movimento sufragista já aos 8 anos de idade. Aos 20 anos, se casou com Richard Marsden Pankhurst, um advogado socialista e radical com importante participação na concepção da legislação reformista do direito de propriedade das mulheres. Também era conhecido por ajudar as mulheres na causa sufragista.

Apoiada pelo marido, Emmeline mergulhou de cabeça na causa e fundou a “Women’s Franchise League”, a “Liga para a Libertação da Mulher”, em 1889. Catorze anos depois, em 1903, cinco após a morte de Richard, fundou a “Women’s Social and Political Union” – WSPU, “União Política e Social das Mulheres” – e intensificou a luta pelos direitos femininos.

Sob o lema Deeds not Words (Ações, não Palavras), o movimento ganhou visibilidade e ganhou adeptas entre mulheres da classe média britânica. Emmeline liderou protestos, manifestações, petições e interrupções de encontros de políticos, uma das ações mais fortes da organização. A filha, Christabel, foi companheira e ativista na causa da WSPU.

Em 1908, Emmeline foi presa pela primeira vez, por tentar entrar no Parlamento para protestar contra o primeiro-ministro, H. H. Asquith. No julgamento, proferiu a famosa frase: “We are here not because we are law-breakers; we are here in our efforts to become law-makers” – “Não estamos aqui por sermos infratoras da lei; estamos aqui por um esforço para nos tornarmos as feitoras da lei”.

Foi detida e condenada diversas vezes nos anos seguintes, por vários motivos, como “conspiração” (incitar pessoas a cometer ofensas) ou “obstrução” (quebrar propriedade pública ou privada).

A partir de 1909, começou a viajar para Estados Unidos e Canadá, com o objetivo de difundir a causa do voto feminino.

Em 13 de novembro de 1913, falou para uma multidão na cidade americana de Hartford, Connecticut. No eloquente discurso, conhecido como “Liberdade ou Morte”, Emmeline conclama as mulheres para uma “guerra civil”.

“Há somente um caminho, a menos que estejais preparados para regredir a civilização por duas ou três gerações; deveis conceder a estas mulheres o voto. Agora este é o resultado de nossa guerra civil”, disse.

A Primeira Guerra Mundial mudou um pouco o caminho do movimento sufragista e Emmeline passou a se engajar em campanha patriótica, a “Women’s Right to Serve”, que reivindicava o direito das mulheres em servirem ao exército.

Em 1918, ao final da guerra, um decreto do Parlamento concedeu às mulheres acima de 30 anos o direito ao voto, mas com restrições. Dez anos depois, em junho de 1928, Emmeline Pankhurst morreu em Londres, enquanto participava de campanha para ingressar no Parlamento.

Um mês depois, o Parlamento aprovou lei concedendo o direito de voto às mulheres britânicas.

Mas essa história fica pra outro dia… Porque todo dia é histórico.

Veja animação sobre a vida de Emmeline Pankhurst:

Fontes:

Wikipedia

theguardian.com (a íntegra do discurso de 13/11/1913)

– Livro Líderes e Discursos que Revolucionaram o Mundo – introdução de Simon Sebag Montefiore

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