“Por duas polegadas”, Martha Rocha perde o Miss Universo

Há 60 anos… dia 23 de julho de 1954.

“Por duas polegadas”, Martha Rocha perde o Miss Universo

Por duas polegadas a mais, passaram a baiana pra trás

Por duas polegadas e logo nos quadris

Tem dó, tem dó, seu juiz!

A marchinha “Duas Polegadas”, de Pedro Caetano, Alcyr Pires Vermelho e Carlos Renato, remete a um episódio marcante na História do Brasil: o concurso Miss Universo de 1954. Uma derrota para o Brasil…

A brasileira Martha Rocha perdeu a disputa para a americana Miriam Stevenson por causa de duas polegadas! Sim, notícias da época diziam que o volume adicional nos quadris fez Martha ser superada pela delgada ianque.

Grande falácia, inventada pelo jornalista João Martins, da revista O Cruzeiro. Preocupado com o orgulho nacional (leia-se “complexo de vira-lata”, de Nelson Rodrigues), ele criou razão técnica para mais uma derrota brasileira lá fora.

A “perdedora” Martha Rocha comprou a ideia de Martins, assim como os outros jornalistas presentes em Long Beach para a cobertura do concurso. Martha confirmou a história em sua autobiografia, lançada em 1999 (Martha Rocha – uma autobiografia).

O episódio acabou imortalizado em engraçada e original marchinha de carnaval (perdão pelo pleonasmo!), gravada em 1955 pela própria Martha Rocha.

O vice-campeonato no Miss Universo não impediu a baiana de ser alçada ao estrelato. Tornou-se referência de beleza no País. Era, de fato, muito bonita: olhos azuis, cabelos loiros curtos e cacheados, traços fortes.

Sessenta anos se passaram e a vice-miss passou por poucas e boas na vida. Enfrentou falência da empresa por culpa do cunhado, superou um câncer de mama e hoje, aos 77 anos e duas polegadas a mais, vive em Volta Redonda, no Rio de Janeiro.

O Brasil só superaria a derrota nas passarelas em 1963, quando Ieda Maria Vargas conquistou o Miss Universo.

Mas essa história fica pra outro dia… Porque todo dia é histórico.

Ouça “Duas Polegadas”:

Fontes:

- Acervo Estadão

- IstoÉ Gente

Primeiro desfile de carros acontece no Carnaval do Rio

Há 160 anos… dia 28 de fevereiro de 1854.

28fev14

A festa ainda se chamava “Entrudo”. Era uma brincadeira trazida pelos colonizadores portugueses nos séculos 17 e 18.

Dentro dos palácios e casarões do Rio de Janeiro, famílias ricas travavam “batalhas” de água, perfumes, flores e outros líquidos. Nas ruas, a coisa era mais suja, digamos: xixi e até sêmen eram usados como “munição”.

Então, resolveram “civilizar” a folia!

Já eram tempos de Dom Pedro II, que queria pôr ordem no Brasil.

Assim, o chefe da polícia do Rio, Alexandre Joaquim de Siqueira, baixou determinação para acabar com a farra do “Entrudo”. A ordem é que a brincadeira não teria líquido, para não estragar as roupas dos foliões e para evitar confusões.

O “Entrudo” politicamente correto ficou chato.

Em substituição, desfiles com carros alegóricos. Puxadas por animais (cavalos, burros), as carruagens cheias de gente enfeitada passavam pelas ruas e agitavam a festa. Agora, as famílias ricas e o povo paravam para ver o cortejo. E jogavam flores para saudar os carros!

Para incrementar a folia, tambores marcavam o ritmo.

A marchinha, verdadeiro patrimônio do Brasil, só nasceria em 1899, quando Chiquinha Gonzaga lançou “Ó Abre Alas”.

Depois nasceram os cordões, os blocos e as escolas!

Mas essa(s) história(s) fica(m) pra outro carnaval… Porque todo carnaval é histórico!

Viva o Carnaval! Boa folia!

Ouça “Ó Abre Alas”, na voz de Dircinha e Linda Baptista:

Fontes:

- ebc.com.br

- entretenimento.r7.com

- oglobo.globo.com